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Os clubes, a emissora e o fim dos patrocínios da Esportes da Sorte

Legal Por Rafael Andrade Atualizado Oct 9, 2026
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Esportes da Sorte
Fora do ar desde 6 de outubro de 2026. As apostas de quota fixa e o cassino online foram proibidos no Brasil pela Medida Provisória nº 1.394/2026 e as autorizações da SPA/MF foram extintas.
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A imprensa cita oito clubes patrocinados; esta apuração confirmou cinco (Corinthians, Palmeiras feminino, Bahia, Athletico-PR, Grêmio). Em 4/2/2025, Globo e Athletico-PR suspenderam contratos. A MP 1.394/2026 proibiu publicidade e patrocínio de apostas, sem ressalva para contratos em andamento.

Uma marca que apareceu em uniforme de clube, não só em anúncio online

Esta página integra o balanço de confiança reunido em confiança: o que era verificável. A Esportes da Sorte construiu visibilidade sobretudo pelo patrocínio esportivo: a marca estampada em uniformes, em placas de estádio, em pacotes publicitários de emissora. A imprensa especializada descreve a operadora como patrocinadora de oito clubes brasileiros de futebol no total, mas esta apuração confirmou, com fonte individual para cada um, apenas cinco desses vínculos. Os outros três ficam como lacuna: citados em reportagens de forma agregada, sem o nome do clube isolado e checado.

Os cinco vínculos que esta apuração conseguiu confirmar

O maior e mais bem documentado é com o Corinthians, onde a Esportes da Sorte era patrocinadora máster do time masculino na Série A. A imprensa esportiva cita um contrato de R$ 309 milhões ao longo de três temporadas, com o valor anual podendo passar de R$ 200 milhões uma vez somadas cláusulas de performance ao piso reportado de cerca de R$ 150 milhões por temporada; a vigência divulgada ia até junho de 2027, um contrato, portanto, interrompido pela proibição antes do fim combinado.

No Palmeiras, o vínculo era mais estreito: a marca patrocinava o time feminino, com valor reportado de R$ 18,5 milhões por temporada. É importante não confundir esse contrato com o patrocínio máster do time masculino do Palmeiras, que pertencia a outra operadora, a Sportingbet. São duas marcas diferentes, dois contratos diferentes, dentro do mesmo clube.

Completam a lista confirmada o Bahia, o Athletico Paranaense e o Grêmio, citados em reportagens sobre o esquema de patrocínios do setor de apostas, cada um com cobertura jornalística própria amarrando o nome do clube ao da marca. Não encontramos, nesta apuração, os nomes dos outros três clubes que completariam o total de oito citado pela imprensa, e preferimos deixar a lacuna explícita a completá-la por suposição.

ClubeTime/vínculoValor reportado
CorinthiansMasculino, patrocínio másterR$ 309 milhões / 3 temporadas (até jun/2027)
PalmeirasFeminino (máster masculino era Sportingbet)R$ 18,5 milhões/temporada
BahiaPatrocínio reportado, detalhe de valor não confirmadonão confirmado
Athletico ParanaensePatrocínio reportado; suspenso em fev/2025 (ver abaixo)não confirmado
GrêmioPatrocínio reportado, detalhe de valor não confirmadonão confirmado

Uma reportagem de setembro de 2026 também cita a marca associada a programação ligada à Rede Globo, no entorno do Big Brother Brasil, mas essa informação veio de uma única publicação e não foi cruzada com uma segunda fonte nesta apuração. Tratamos como reportado, não como confirmado.

O episódio de fevereiro de 2025: uma emissora e um clube suspenderam contrato

Em 4 de fevereiro de 2025, a Rede Globo suspendeu seus contratos comerciais com a Esportes da Sorte, segundo reportagem da InfoMoney corroborada por outra apuração do setor. No mesmo período, o Athletico Paranaense suspendeu seu patrocínio. O motivo relatado pela imprensa: naquele momento específico, a marca estava ausente da lista de operadoras nacionalmente autorizadas publicada pelo Ministério da Fazenda, uma consequência indireta da disputa, já tratada na cronologia do caso, em que o STF havia suspendido a autorização da operadora baseada em licença estadual da Loterj.

Esse episódio foi, segundo as fontes consultadas, revertido depois que a empresa obteve a autorização federal junto à SPA/MF. Mas há um ponto que esta apuração não conseguiu encaixar com segurança: a Portaria SPA/MF nº 136 que concedeu essa autorização está datada de 22 de janeiro de 2025, antes, não depois, da suspensão da Globo em 4 de fevereiro. As fontes consultadas não explicam por que uma emissora suspenderia contrato citando ausência de autorização duas semanas depois de a autorização, pelo menos no papel, já ter sido concedida. Pode ser uma defasagem entre a emissão da portaria e sua publicação efetiva na lista pública, mas isso é inferência nossa, não um fato relatado por uma fonte. Registramos a contradição em vez de resolvê-la por conta própria.

O que o banimento publicitário da MP 1.394/2026 fez com contratos em andamento

A Medida Provisória nº 1.394/2026, em vigor desde 25 de setembro de 2026, não trata apenas de oferta e intermediação de apostas. Ela proíbe também publicidade, propaganda, marketing e patrocínio ligados a apostas de quota fixa em todo o território nacional, e determina que material promocional existente fosse retirado em até dez dias da publicação da norma - o texto completo da medida está detalhado em o que a MP 1.394/2026 proíbe. Isso inclui, de forma direta, contratos de patrocínio esportivo como o do Corinthians, que tinha vigência contratual prevista até junho de 2027, quase um ano além do fim imposto pela lei.

Na prática, um contrato que ainda tinha parcelas e temporadas pela frente deixou de poder ser cumprido no formato original: a marca não pode mais aparecer no uniforme, nas placas do estádio ou em qualquer peça publicitária voltada ao público brasileiro, independentemente do que o contrato original previa como prazo. A MP não faz exceção para compromissos já assinados antes de sua publicação: a proibição atinge quem explora, oferece, intermedia ou anuncia apostas, e empresas estrangeiras que publicitem para o público brasileiro estão sob a mesma restrição. Não encontramos, nesta apuração, uma nota pública dos clubes ou da operadora detalhando como a rescisão ou a renegociação financeira desses contratos foi resolvida. Esse desfecho contratual específico fica como lacuna.

O que essa cronologia de patrocínios diz sobre o risco da marca

Olhando em conjunto, os dois episódios de suspensão de patrocínio e publicidade (a reação pontual de Globo e Athletico Paranaense em fevereiro de 2025, e o banimento legal definitivo de setembro de 2026) têm naturezas diferentes. O primeiro foi uma decisão comercial de contraparte, revertida quando a situação regulatória da operadora se normalizou. O segundo é uma proibição de origem legal, que não se reverte por decisão de nenhuma das partes contratantes porque o próprio mercado de apostas de quota fixa deixou de ser permitido no Brasil. Um clube que ainda tivesse parcelas de patrocínio a receber da Esportes da Sorte, depois de 25 de setembro de 2026, está diante de uma situação sem precedente direto no histórico recente do setor, e sem desfecho público confirmado nesta apuração. Sobre como tratamos fontes de confiabilidade desigual nesta reportagem, veja nossa metodologia.

Quantos clubes a Esportes da Sorte patrocinava?

A imprensa cita oito clubes no total, mas esta apuração confirmou individualmente apenas cinco: Corinthians, Palmeiras (feminino), Bahia, Athletico Paranaense e Grêmio.

Qual era o maior contrato de patrocínio da marca?

O do Corinthians, patrocínio máster do time masculino, reportado em R$ 309 milhões ao longo de três temporadas, com vigência prevista até junho de 2027.

Por que a Rede Globo suspendeu contrato com a Esportes da Sorte em 2025?

Porque, em 4 de fevereiro de 2025, a marca estava ausente da lista de operadoras nacionalmente autorizadas pelo Ministério da Fazenda, segundo reportagem da InfoMoney.

A proibição de publicidade da MP 1.394/2026 afeta contratos assinados antes da lei?

Sim. A MP proíbe publicidade, marketing e patrocínio de apostas de quota fixa sem abrir exceção para compromissos anteriores à sua publicação, e exigiu a retirada de material promocional em até dez dias.

O patrocínio do Palmeiras masculino era da Esportes da Sorte?

Não. O time masculino do Palmeiras tinha patrocínio máster da Sportingbet; a Esportes da Sorte patrocinava o time feminino.

Sources

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Rafael Andrade Editor - regulação de apostas no Brasil
Acompanha a regulamentação das apostas no Brasil desde a Lei nº 14.790/2023 · Apuração baseada em documentos da SPA/MF, do Senado e em arquivos das próprias páginas da operadora
Apurado em: May 5-9, 2026 Fontes: Samsung Galaxy S25, iPhone 17 Atualizado: Oct 9, 2026